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Comprar uma cota contemplada de caminhão é a melhor opção

 

                O consórcio é basicamente um grupo de pessoas e/ou empresas que se reúnem e se cotizam com o objetivo de aquisição de bens. Os diferenciais vêm da capacidade e criatividade de cada administradora.

                Entre as inúmeras empresas que atuam na área de consórcios, a Rodobens Consórcio é uma das mais antigas. Em 38 anos de atuação já entregou mais de 150.000 caminhões Mercedes-Benz. O Consórcio Nacional Volkswagen tem quase três décadas, período no qual entregou mais de 350 mil veículos. O Consórcio Nacional Scania começou há 23 anos como Battistella Administração de Consórcios. Em junho de 1997 passou a ser Scania Administradora de Consórcio e a partir de outubro de 2004 adotou a identificação de Consórcio Scania Brasil. Além de administrar o consórcio de seus produtos, também cuida das cotas de semi-reboques da A. Guerra S/A. Até janeiro deste ano, entregou 45 mil caminhões, 3.000 ônibus e 12.000 semi-reboques.

                O Consórcio Volvo foi criado em 1994 e em pouco mais de 10 anos já comercializou cerca de 25 mil cotas, contemplando cerca de 15 mil clientes, principalmente de caminhões, mas também de ônibus e de equipamentos de construção.

O mais novo dos consórcios de fábrica é o Consórcio Nacional Iveco, que operando há seis anos, já entregou mais de 4.000 caminhões aos consorciados.


BOM NEGÓCIO

                “O consórcio é sempre um ótimo negócio”, afirma Pedro Santos, diretor Geral da Rodobens Consórcios. “Ao investir em consórcio, o cliente está investindo no próprio negócio, no caso de caminhões por um transportador, seja para renovação ou para aumento da frota”. Segundo Santos, enquanto a frota vai se depreciando, os investimentos em consórcio se valorizam de acordo com o preço dos veículos novos. Portanto, o consórcio é aconselhável para todos os transportadores, sejam eles grandes, médios ou pequenos, pessoas jurídicas ou autônomos. Para Pedro Santos, o consórcio é a forma mais econômica para se adquirir um caminhão, a médio e longo prazos. “Por isto, o transportador deverá sempre investir em consórcio como forma de proteger e preservar o seu patrimônio da desvalorização e da depreciação”, aconselha ele. “Quem não se programa em consórcio, ou vai se descapitalizar para pagar um caminhão à vista ou vai pagar mais caro se recorrer a outras formas de financiamento”.

                Antonio Carlos Rocha, diretor Geral do Consórcio Scania, explica que a aquisição de bens através de planos de consórcio tem como principal atrativo a forma de correção das parcelas que é feita pelo valor do bem novo a ser adquirido, sem incidência de juros, os quais são cobrados em altos percentuais nos financiamentos tradicionais, que fazem com que no final, na quitação se pague o dobro, ou mesmo o triplo do valor do bem.

Outra vantagem encontrada no sistema de consórcio é a flexibilidade existente, pois o cliente pode administrar melhor os prazos (variando de 24 meses com taxa de administração de 5% até 100 meses com taxa de administração de 10,5%). Também é desnecessário qualquer pagamento a título de entrada, bem como a comprovação de renda inicial, podendo este optar pela aquisição de bens novos ou usados.

                Para Albert Mayer, diretor de Relações Externas da Iveco, consórcio é sempre um bom negócio, pois é a modalidade para aquisição financiada de bens com o menor custo real. “Não há cobrança de juros, somente uma taxa de administração que no mercado gira em torno de 0,16% a. m. e no Consórcio Nacional Iveco está em média 0,12% a. m.”.

                Ruth Wiering, supervisora da área de Marketing Desenvolvimento de Produtos Consórcio da Volkswagen do Brasil, indica o consórcio para aqueles que não têm disponibilidade financeira para dar entrada em financiamentos e que não têm necessidade de utilizar o veículo de imediato. “Além disso, muitas vezes o cliente de consórcio quer apenas impor a si próprio um método de poupança compulsória ou uma modalidade de investimento que poderá, no futuro, se materializar em um automóvel”, explica Ruth Wiering.

Para Márcio Pedroso, diretor de Operações da Volvo Serviços Financeiros, o consórcio é um excelente negócio para os clientes que planejam a renovação ou ampliação de suas frotas, utilizando o consórcio como um investimento futuro. Segundo ele, também é um bom negócio para todo cliente que não deseja pagar taxas de juros.


TIPOS DE CONSÓRCIO

                Dentro das normas do Banco Central, cada empresa procura oferecer um diferencial para atrair o cliente. O Consórcio Nacional Iveco oferece uma parcela menor antes da contemplação da cota. A sistemática de contemplação e de pagamentos utilizada pela empresa reduz os prazos de pagamentos e agiliza a entrega, pois os grupos arrecadam mais e conseqüentemente entregam mais bens. “Oferecemos também o menor custo final, pois não temos fundo de reserva, seguro e taxas de expediente”, afirma Albert Mayer, da Iveco. “Também damos garantia de preço e de entrega pela Iveco Latin America e sua rede de concessionárias”.

                A Volkswagen trabalha com três planos de consórcio: o normal, onde o cliente paga uma prestação proporcional ao valor do veículo dividido pelo prazo do grupo. Ao ser contemplado, tem à disposição o valor integral referente ao veículo básico do plano. Existe o Consórcio Leve Volkswagen, onde o cliente paga prestações 25% menores que as de um plano normal até ser contemplado. Depois essa diferença pode ser ajustada com o cliente recebendo 100% do valor do crédito, dividindo os 25% devidos nas prestações restantes, ou receber 75% do valor do crédito e continuar pagando prestações reduzidas. No Consórcio Flexível Volkswagen, as 12 primeiras parcelas são menores no mercado para a aquisição de um VW “0 Km”. O Consórcio Volvo oferece planos de aquisição de até 100 parcelas mensais, com 300 participantes e parcela inicial de apenas 0,75% de percentual ideal mensal, o que significa que o cliente paga menos enquanto não for contemplado. Os grupos não têm taxa de adesão.

                Os prazos variam de administradora para administradora. Nos consórcios das fábricas ouvidas, o prazo máximo é de 100 meses. A Rodobens oferece a possibilidade de grupos de até 120 meses.

                O perfil do consorciado varia de acordo com o tipo de caminhão. No Consórcio Iveco, nas linhas médio e pesado tratam-se de empresas de transporte rodoviário de carga com frota acima de três veículos. Na linha leve, o perfil é bem mais abrangente, indo desde transportadores autônomos de passageiros a empresas de carga urbana, até atacadistas, supermercados etc.
             
                O perfil levantado pela Rodobens é do pequeno e médio transportador, na maioria pessoa jurídica, com média de frota de dois a 20 caminhões. No caso de motos, o público é jovem e no caso de caminhões pessoas jurídicas.

No Consórcio Scania, 65% são pessoas jurídicas e 35% pessoas físicas. Na Volvo, a maioria dos clientes são pequenos e médios transportadores, mas também há caminhoneiros autônomos.

CONSÓRCIO x leasing x cdc

                Na hora de comprar um caminhão a grande pergunta é: usar o consórcio, leasing ou crédito direto ao consumidor (CDC)? “Cada produto tem suas características e benefícios específicos. Depende da necessidade de cada cliente”, diz Márcio Pedroso, da Volvo. “O consórcio se caracteriza por ser uma modalidade de aquisição de longo prazo, de até 100 meses nos grupos do Consórcio Volvo. Enquanto que financiamentos e leasing normalmente têm prazos de 36 até 48 meses. O prazo, portanto, é uma das grandes vantagens do consórcio para os clientes que preferem parcelas menores e prazos maiores. Outra vantagem é que o consórcio não tem taxas de juros, apenas taxa de administração que é diluída ao longo do prazo do plano”.  

                Para Antonio Carlos Rocha, da Scania, é difícil definir vantagens e desvantagens entre os sistemas. “Alguns compradores fazem a opção pelo CDC mesmo sabendo que o custo é mais alto, porém, tem a compensação da disponibilidade do bem de imediato”, compara Rocha.

                Albert Mayer, da Iveco, aponta o menor custo e as facilidades para transferência do plano a terceiros e até a substituição do caminhão alienado, a qualquer tempo, como as grandes vantagens do consórcio (veja tabela na página 36).

                Ao ser contemplado, o consorciado pode receber uma carta de crédito para comprar o bem que ele quiser, ou então, uma carta de crédito vinculada a um determinado produto. No Consórcio Scania, por exemplo, ele pode mudar de modelo do caminhão, mas deverá fazer a compra em uma das concessionárias da marca. No Consórcio Rodobens, o contemplado recebe a carta de crédito e pode comprar o veículo que quiser.

                Se durante o andamento do consórcio o participante quiser antecipar parcelas, poderá fazê-lo sem problema. Da mesma forma se quiser mudar para um caminhão mais caro ou mais barato. Neste caso, na Iveco, ele deve optar por um bem básico dentre os modelos existentes naquele grupo. Na Rodobens há um limite que não pode exceder nem para cima nem para baixo, em 50% do valor inicialmente contratado.

                “Se o consorciado solicitar a alteração de modelo antes da contemplação de sua cota, e optar por um crédito maior ou menor, tal mudança será analisada pela administradora, que, após verificar as características e condições do grupo, atende ou não tal solicitação”, explica Antonio Carlos Rocha, da Scania. “Existindo tal opção após a contemplação da cota e respeitados os segmentos, não há problema. Se o bem pelo qual o consorciado optou custar menos que seu crédito, ele poderá utilizar a diferença para pagar as prestações a vencer. Para receber este valor em espécie, será necessário quitar as obrigações para com o grupo. Para adquirir um bem de maior valor, ele ficará responsável pelo pagamento da diferença de preço”.

                No Consórcio Volvo o cliente pode mudar de categoria a qualquer momento antes da contemplação, tanto para um valor maior como para um menor. “Porém, o Consórcio Volvo tem como filosofia não autorizar mudança de categoria para bem de maior valor após a contemplação, em razão dos problemas que este tipo de procedimento acarreta ao grupo de consorciados” avisa Márcio Pedroso. “Se houver constantes mudanças de categoria, o grupo provavelmente não terá arrecadação suficiente para contemplação por sorteio e lance, gerando prejuízos aos consorciados”.

Quem procurar

                Outra dúvida que pode surgir é procurar um consórcio de fábrica ou um consórcio independente. “Todos os consórcios, de fábrica ou independentes, obedecem às mesmas normas do Banco Central do Brasil, não havendo, portanto, entre eles, vantagens ou desvantagens em relação à sua constituição e formação de grupos, pois em ambos os casos o consorciado tem sempre direito ao crédito livre”, explica Pedro Santos, diretor da Rodobens. “O consorciado deve avaliar sim, a capacidade econômica e financeira da administradora, informando-se junto ao Banco Central se a mesma está autorizada a formar grupos de consórcio, e, acima de tudo, conhecer a sua credibilidade, a sua agilidade e qualidade no atendimento aos consorciados, entre outras formas de facilidades na vida dos consorciados”.

                Os consórcios ligados à fábrica, segundo os entrevistados, oferecem a garantia de preço e entrega, abrangência efetivamente nacional, solidez e segurança, o que nem todas as empresas de “consórcios autônomas” oferecem.

                “Para evitar problemas, antes de assinar um contrato de consórcio, procure uma empresa que ofereça a garantia do fabricante e de sua rede de concessionárias”, alerta Albert Mayer, da Iveco. “Cheque o cadastro e situação da administradora junto ao Banco Central do Brasil. Isso pode ser feito pelo telefone 0800-99-2345, ou pelo site www.bcb.gov.br. Também é possível conseguir referências na Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC) pelo telefone (11) 3231-5022 ou no site www.abac.org.br.

               
Antonio Carlos Rocha, da Scania, dá mais duas dicas:

A – Saber se a taxa de administração tem percentuais muito elevados ou se são compatíveis com o mercado (não esquecer que a taxa é pelo tempo total do plano sobre o valor do bem, não é mensal, a menos que estejamos falando do valor da parcela mensal).

B – Ler atentamente o contrato de adesão para verificação de itens que podem ser considerados leoninos, abusivos (cuidado com promessas de vendedores).

Fonte: Revista do camioneiro

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